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Nome / Cargo Linha de Pensamento Característica do Mandato 3 Eventos Principais — Pol. Externa Principais Parceiros Tratados / Acordos Indicado por Legado
⬛ BRASIL COLONIAL — GOVERNADORES-GERAIS E SECRETÁRIOS DE ESTADO (1549–1807)
Tomé de Sousa1549 – 1553Portugal1º Gov.-GeralMercantilismo
Colonialismo centralizador. Fundação do aparato administrativo e da parceria Coroa-Igreja como pilares da colonização.
Fundação de Salvador como 1ª capital. Estruturação do governo colonial, sistema judiciário e milícia. Início da catequização jesuítica como política de Estado.
  • Fundação de Salvador (1549) — 1ª capital e sede do Governo-Geral
  • Chegada dos jesuítas com Padre Nóbrega — catequese como projeto estatal
  • Primeiras negociações com os Tupi — relações de força no território colonial
Portugal (Coroa), Igreja Católica (Companhia de Jesus), capitanias hereditáriasRegimento de Tomé de Sousa (1548) — documento fundador da administração colonial brasileira
D. João III

Rei de Portugal
Fundou o aparato colonial: governo centralizado, Igreja e braço militar. Seus princípios organizacionais persistiram por dois séculos de colonização.
Mem de Sá1558 – 1572Portugal3º Gov.-GeralMercantilismoExpansionismo
Consolidação territorial e expulsão de ameaças estrangeiras. Parceria intensa com os jesuítas.
Governo mais longo e efetivo do período inicial. Expulsão dos franceses da França Antártica e fundação do Rio de Janeiro. Consolidação do domínio português contra ameaças externas e internas.
  • Expulsão dos franceses da Baía de Guanabara (1560–65) — derrota da França Antártica
  • Fundação do Rio de Janeiro (1565) — junto com Estácio de Sá
  • Guerras contra os Caetés e Aimorés — consolidação do Nordeste colonial
Portugal (Coroa), Companhia de Jesus, aliados TupiAlianças com grupos Tupi contra os Tamoio (aliados dos franceses huguenotes)
D. Sebastião

Rei de Portugal
Garantiu a soberania portuguesa frente à França. A expulsão da França Antártica e a fundação do Rio de Janeiro são marcos definitivos da consolidação territorial.
Marquês de Pombal1750 – 1777PortugalSecretário de EstadoIluminismoDespotismo Esclarecido
Reformismo ilustrado aplicado ao Império. Fortalecimento do Estado, expulsão dos jesuítas, modernização administrativa.
O mais decisivo reformista colonial. Expulsão dos jesuítas (1759), Companhias de Comércio, transferência da capital para o Rio de Janeiro (1763) e o Tratado de Madrid — que definiu o território brasileiro pelo uti possidetis.
  • Expulsão dos jesuítas do Brasil e Portugal (1759) — reconfiguração das relações Igreja-Estado
  • Transferência da capital colonial de Salvador para o Rio de Janeiro (1763)
  • Tratado de Madrid (1750) — uti possidetis; base do território brasileiro atual
Inglaterra (aliado estratégico de Portugal), Espanha (disputas de fronteiras)Tratado de Madrid (1750) — redefinição das fronteiras da América do Sul pelo princípio do uti possidetis
D. José I

Rei de Portugal
O Tratado de Madrid, o uti possidetis e a transferência da capital para o Rio definiram o território e a centralidade que o Rio exerceria até o século XX.
🟡 PERÍODO JOANINO E INDEPENDÊNCIA (1808–1831)
D. Rodrigo de Sousa Coutinho1808 – 1812PortugalPeríodo JoaninoIluminismo LusoReformismo
Primeiro grande estadista do Brasil sede do Império. Defensor da abertura econômica e da modernização do Estado.
Primeiro ministro das relações exteriores no Brasil. Articulou a Abertura dos Portos, a aliança com a Inglaterra e a reorganização do aparato diplomático transferido para o Rio.
  • Abertura dos Portos às Nações Amigas (1808) — fim do monopólio colonial; marco econômico e diplomático
  • Tratados de Aliança, Amizade e Comércio com a Inglaterra (1810)
  • Elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (em gestação)
Inglaterra (aliança estratégica), Portugal, Espanha (guerras napoleônicas)Tratados de 1810 com a Inglaterra (Comércio e Navegação; Aliança e Amizade) — base da abertura econômica e da dependência britânica
D. João VI

Príncipe Regente
A abertura dos portos e os tratados com a Inglaterra são seu legado duradouro — e ambíguos: libertaram o comércio e aprofundaram a dependência britânica que Furtado analisaria criticamente.
José Bonifácio de Andrada e Silva1822 – 1823São PauloIndependênciaLiberalismo IlustradoNacionalismo
"Patriarca da Independência". 1º ministro do Brasil independente. Monarquia constitucional, soberania nacional, abolição gradual da escravidão.
O mais importante estadista da Independência. Articulou a ruptura com Portugal, buscou o reconhecimento internacional e definiu as bases da política exterior: não-intervenção e soberania como princípios.
  • Proclamação da Independência (7/set/1822) — articulação política e diplomática por José Bonifácio
  • Busca do reconhecimento internacional — negociações com EUA, Inglaterra e outras potências
  • Participação na elaboração do projeto da Constituição de 1823 (Assembleia Constituinte)
Inglaterra (reconhecimento prioritário), EUA, Portugal (negociação de ruptura)Tratado de Reconhecimento com Portugal (1825, pós-José Bonifácio); Reconhecimento pelos EUA (1824)
D. Pedro I

Imperador
Patriarca da Independência e fundador da diplomacia brasileira. Seus princípios — soberania, não-intervenção, identidade nacional — moldaram o pensamento do Itamaraty por dois séculos.
👑 IMPÉRIO DO BRASIL (1831–1889)
Paulino Soares de Sousa
(Visconde do Uruguai)
1849 – 1853Rio de JaneiroII Reinado
ConservadorismoRealismo Político
Um dos maiores chanceleres do Império. Pragmatismo e defesa dos interesses nacionais na Bacia do Prata. Hegemonia imperial como objetivo.
Hegemonia imperial na Bacia do Prata. Intervenção no Uruguai e derrubada de Rosas na Argentina. Consolidou a influência brasileira no Cone Sul e a doutrina de intervenção justificada por interesses nacionais.
  • Intervenção no Uruguai (1851) e derrubada de Manuel Oribe — hegemonia imperial no Prata
  • Aliança com Urquiza contra Rosas — Batalha de Caseros (1852) e queda do ditador argentino
  • Tratados da Bacia do Prata (1851–52) — livre navegação dos rios e consolidação da influência regional
Argentina (aliança tática contra Rosas), Uruguai (domínio), Inglaterra (comércio)Tratados de 1851–52: Limites, Aliança, Comércio e Navegação, Extradição com Uruguai e Argentina — marco do direito fluvial sul-americano
D. Pedro II

Imperador
O grande chanceler do Império antes de Rio Branco. Sua política platina consolidou a hegemonia brasileira no Cone Sul e estabeleceu os princípios que guiariam a diplomacia imperial por décadas.
José M. da Silva Paranhos
(Visconde do Rio Branco)
1871 – 1876Rio de JaneiroII Reinado
Conservadorismo Mod.Pragmatismo
Pai do Barão do Rio Branco. Grande negociador imperial. A Lei do Ventre Livre (1871) foi aprovada em seu governo como Presidente do Conselho.
Consolidação do período pós-Guerra do Paraguai. Negociação dos tratados de paz com o Paraguai. Lei do Ventre Livre — primeiro passo para a abolição — com enorme repercussão internacional positiva.
  • Lei do Ventre Livre (1871) — aprovada sendo ele Presidente do Conselho; repercussão internacional positiva
  • Tratado de Paz com o Paraguai pós-Guerra (Tratado de Loizaga-Cotegipe, 1872)
  • Gestão das reparações de guerra e da ocupação brasileira do Paraguai
Argentina, Paraguai (pós-guerra), Inglaterra, FrançaTratado de Paz com o Paraguai (1872); Tratado de Limites Brasil-Paraguai
D. Pedro II

Imperador
A Lei do Ventre Livre é seu legado mais duradouro — mesmo como medida conservadora, abriu o caminho para a abolição e melhorou a imagem externa do Brasil.
🟤 REPÚBLICA VELHA (1889–1930) — O BARÃO DO RIO BRANCO E A ERA DE OURO DA DIPLOMACIA
Quintino Bocaiúva1889 – 1891Rio de JaneiroRep. da EspadaRepublicanismoPan-americanismo
1º chanceler da República. Jornalista republicano histórico. Tentativa polêmica de aproximação com a Argentina.
Reconhecimento internacional da República. Polêmica do Tratado de Montevidéu (entregaria o território das Missões à Argentina) — repudiado pelo Congresso. Abriu caminho para a ascensão de Rio Branco.
  • Reconhecimento da República pelos EUA (1889) — primeiro grande ato diplomático republicano
  • Tratado de Montevidéu (1890) — cessão do território missioneiro; rejeitado pelo Congresso
  • 1ª Conferência Internacional Americana (Washington, 1889–90) — início do pan-americanismo
EUA (prioridade), Argentina (tentativa de aproximação), Portugal, EuropaTratado de Montevidéu (1890, rejeitado pelo Congresso nacional)
Deodoro da Fonseca
Inaugurou a diplomacia republicana, mas o desastroso Tratado de Montevidéu comprometeu sua gestão. O fracasso abriu caminho para a ascensão de Rio Branco.
Barão do Rio Branco1902 – 1912Rio de JaneiroRep. VelhaRealismoAmericanismoPacifismo Territorial
O maior diplomata da história brasileira. Definiu as fronteiras sem guerras, pelo arbitramento e negociação. "Americanismo" como contrapeso estratégico.
Gestão épica e mais longa da República: resolveu todas as questões de limites pendentes, transformou o Itamaraty em instituição de excelência e elevou o Brasil à condição de potência regional reconhecida.
  • Tratado de Petrópolis (1903) — aquisição pacífica do Acre da Bolívia; solução por indenização
  • Questão do Amapá (França) e Questão do Pirara (Inglaterra) — confirmação territorial por arbitragem
  • 3ª Conferência Internacional Americana no Rio de Janeiro (1906) — Brasil como protagonista hemisférico
EUA (aliança estratégica), Argentina (rivalidade gerenciada), Europa (arbitragens), Bolívia, Peru, ColômbiaTratado de Petrópolis (1903, Acre); limites com Peru (1909), Colômbia (1907), Venezuela (1905), Bolívia (1903) — definição de todas as fronteiras brasileiras
Rodrigues Alves
Afonso Pena
Nilo Peçanha
Hermes da Fonseca
O patron do Itamaraty. Definiu o território brasileiro, modernizou a diplomacia e estabeleceu o "americanismo" como doutrina estratégica. Sua morte em 1912 encerrou a era de ouro da diplomacia republicana.
Lauro Müller1912 – 1917Santa CatarinaRep. VelhaAmericanismoNeutralismo
Herdou o Itamaraty após Rio Branco. Descendente de alemães — acusado de simpatia à Alemanha na 1ª Guerra. Resignou por pressão americana.
Gestão da neutralidade brasileira no início da 1ª Guerra Mundial. Pressão crescente dos EUA para que o Brasil tomasse partido. Resignou em 1917 por conta de suas origens germânicas e postura pró-germânica percebida.
  • Declaração de neutralidade brasileira na 1ª Guerra Mundial (1914)
  • Gestão das relações com a Alemanha no contexto da guerra submarina
  • Resignação (1917) após pressão dos EUA por conta de suas origens germânicas
EUA (pressão crescente), Argentina (estável), Alemanha (vínculos pessoais), InglaterraSem grandes tratados; gestão da neutralidade e acordos de comércio de guerra
Hermes da Fonseca
Wenceslau Brás
Figura trágica — governou à sombra de Rio Branco e foi consumido pela 1ª Guerra. Ilustra como a origem étnica pode comprometer uma carreira diplomática em contextos de conflito.
Nilo Peçanha1917 – 1918Rio de JaneiroRep. VelhaAmericanismoPró-Aliados
Político e ex-presidente. Conduziu a virada do Brasil para os Aliados e a declaração de guerra à Alemanha.
Gestão crucial: após o afundamento de navios brasileiros, conduziu a ruptura diplomática e a declaração de guerra à Alemanha em 1917. Brasil enviou missão naval (DNOG) aos Aliados no Atlântico Norte.
  • Afundamento do navio Paraná (1917) — casus belli; ruptura com a Alemanha
  • Declaração de guerra à Alemanha (outubro 1917)
  • Envio da DNOG (Divisão Naval em Operações de Guerra) ao Atlântico Norte
EUA e Aliados (alinhamento pleno), Argentina (neutra — tensão)Acordos de cooperação naval com França e Inglaterra; participação no esforço de guerra aliado
Wenceslau Brás
Conduziu a virada para os Aliados — decisão que garantiu ao Brasil um assento à mesa de Paris (1919) e a condição de membro fundador da Liga das Nações.
Epitácio Pessoa1919 (delegação em Paris)ParaíbaRep. VelhaMultilateralismoInternacionalismo Liberal
Jurista e político. Liderou a delegação brasileira na Conferência de Paz de Paris — a de maior peso da América do Sul.
Participação histórica em Paris (1919): garantiu assento de membro fundador da Liga das Nações e foi eleito juiz no Tribunal Permanente de Justiça Internacional. Voltou ao Brasil já eleito presidente.
  • Conferência de Paz de Paris (1919) — única delegação sul-americana de peso
  • Ingresso do Brasil como membro fundador da Liga das Nações (1920)
  • Eleição de Epitácio Pessoa para o Tribunal Permanente de Justiça Internacional
França, Reino Unido, EUA (Conferência de Paris), potências aliadasTratado de Versalhes (1919) — assinado pelo Brasil; incorporação como membro fundador da Liga
Delfim Moreira

(depois eleito Presidente)
Sua atuação em Paris elevou o perfil internacional do Brasil e garantiu assento no novo sistema multilateral. Símbolo do esforço brasileiro de se projetar como potência emergente.
Félix Pacheco1922 – 1926PiauíRep. VelhaConservadorismoMultilateralismo
Jornalista e político. Chanceler do conturbado governo Bernardes — presenciou a saída do Brasil da Liga das Nações.
Chanceler no momento mais dramático da política externa da República Velha: a saída do Brasil da Liga das Nações em 1926, após derrota na candidatura ao Conselho Permanente. Episódio de isolacionismo forçado.
  • Candidatura frustrada do Brasil a membro permanente do Conselho da Liga das Nações (1926)
  • Saída do Brasil da Liga das Nações (1926) — em protesto; isolamento diplomático
  • Gestão das relações com a Argentina em contexto de rivalidade e instabilidade interna
EUA, Inglaterra, Argentina (rivalidade), Europa OcidentalSem grandes tratados; gestão defensiva após a saída da Liga
Arthur Bernardes
Sua gestão ficou marcada pela saída traumática da Liga das Nações — o maior revés diplomático da República Velha. O episódio revelou os limites do prestígio internacional brasileiro sem Rio Branco.
Octávio Mangabeira1926 – 1930BahiaRep. VelhaLiberalismoPan-americanismo
Político baiano. Último chanceler da República Velha — tentativa de reintegração ao multilateralismo pós-saída da Liga.
Tentativa de reintegração ao sistema multilateral. Impacto da Crise de 1929. Gestão encerrada pelo Golpe de 1930 que levou Vargas ao poder. Exilou-se após a Revolução.
  • Retomada das relações multilaterais após a saída da Liga das Nações
  • Impacto da Crise de 1929 nas relações comerciais externas brasileiras
  • Gestão diplomática até o Golpe de 1930 — exílio após a Revolução
EUA, Argentina, Europa Ocidental, países da América LatinaGestão de manutenção; sem grandes tratados novos
Washington Luís
Último chanceler da República Velha. Buscou reintegrar o Brasil ao multilateralismo, mas foi interrompido pelo colapso da ordem oligárquica em 1930.
🔴 ERA VARGAS (1930–1945 / 1950–1954)
Afrânio de Melo Franco1930 – 1933Minas GeraisVargasLiberalismoMultilateralismo
Diplomata e político mineiro. Primeiro chanceler de Vargas — perfil moderado, ligação com o antigo regime. Chanceler da normalização.
Gestão de transição pós-revolução de 1930. Reintegração do Brasil à Liga das Nações (retorno formal) e reorganização da política exterior após a ruptura com a República Velha.
  • Reintegração do Brasil à Liga das Nações (1933) — reversão da saída de 1926
  • Gestão do impacto da Grande Depressão nas relações comerciais externas
  • Participação na Conferência do Desarmamento de Genebra (1932–33)
EUA, Argentina, Reino Unido, Liga das NaçõesRetorno à Liga das Nações; acordos comerciais em contexto de crise
Getúlio Vargas
Chanceler da normalização diplomática pós-1930. Reintegrou o Brasil à Liga e manteve relações estáveis, preservando a continuidade institucional do Itamaraty na transição.
José C. de Macedo Soares1934 – 1936São PauloVargasLiberalismoPan-americanismo
Industrialista paulista. Implementou a estratégia de equidistância pragmática de Vargas — jogando EUA e Alemanha um contra o outro.
Período de equidistância pragmática entre EUA e Alemanha. Brasil negocia com ambos — Acordo Comercial com os EUA (1935) e expansão do comércio compensado com a Alemanha. "Barganha" como método.
  • Acordo Comercial com os EUA (1935) — equilíbrio na barganha com as potências
  • Expansão do comércio compensado com a Alemanha — marcos alemães como instrumento de pressão
  • Conferência Interamericana de Consolidação da Paz (Buenos Aires, 1936)
EUA e Alemanha (equidistância), Argentina, Reino UnidoAcordo Comercial com os EUA (1935); acordos de comércio compensado com a Alemanha
Getúlio Vargas
Implementou com habilidade a equidistância pragmática de Vargas — jogar EUA e Alemanha um contra o outro para extrair o máximo em investimentos e acordos comerciais.
Oswaldo Aranha1938 – 1944Rio Grande do SulVargas / Estado NovoPan-americanismoPró-EUAInternacionalismo
O maior chanceler da Era Vargas. Pivô da virada para os Aliados e da negociação de Volta Redonda. Presidiu a AGNU em 1947–48.
Gestão decisiva: conduziu o Brasil da equidistância ao alinhamento com os Aliados. Negociou Volta Redonda em troca de bases navais e alinhamento. Um dos chanceleres mais influentes da história brasileira.
  • Negociação de Volta Redonda (1940–41): financiamento americano da CSN em troca do alinhamento na 2ª Guerra
  • Virada para os Aliados (1942): após afundamentos de navios, Brasil declara guerra ao Eixo
  • Presidência da AGNU (1947–48): presidiu a sessão que aprovou o Plano de Partilha da Palestina
EUA (alinhamento estratégico), Argentina (rivalidade), Reino Unido, países da América LatinaAcordo de fornecimento de bases para os EUA (1942); acordos de cooperação militar; tratados de alinhamento com os Aliados
Getúlio Vargas
O maior chanceler da Era Vargas. Sua habilidade de negociar Volta Redonda — trocando alinhamento por industrialização — é um dos grandes exemplos de barganha diplomática da história brasileira.
João Neves da Fontoura1951 – 1953Rio Grande do Sul2º VargasConservadorismoPan-americanismo
Político gaúcho, aliado de Vargas. Ala conservadora do varguismo — resistência ao monopólio do petróleo. Pró-americano.
Tensão entre o alinhamento com os EUA (Guerra Fria) e o nacionalismo econômico crescente de Vargas. Saída em 1953 marcou a ascendência do nacionalismo dentro do governo.
  • Acordo Militar Brasil-EUA (1952) — cooperação de defesa no contexto da Guerra da Coreia
  • Participação nas negociações no âmbito da OEA — alinhamento anticomunista
  • Tensão interna com Vargas sobre a questão da Petrobras
EUA (prioritário), Argentina, Europa OcidentalAcordo Militar com os EUA (1952)
Getúlio Vargas

(2º mandato)
Representante da linha conservadora e pró-americana dentro do varguismo. Sua saída em 1953 marcou a virada nacionalista que culminaria no suicídio de Vargas em 1954.
🟢 DEMOCRACIA LIBERAL (1945–1964) — DA PAN-AMERICANA À POLÍTICA EXTERNA INDEPENDENTE
Raul Fernandes1946 – 1951Rio de JaneiroDutraOcidentalismoAnticomunismo
Jurista internacionalista. Alinhamento automático com os EUA. Cassação do PCB e ruptura com a URSS. Contraponto teórico da PEI.
Alinhamento automático com os EUA na Guerra Fria. Cassação do PCB (1947), ruptura com a URSS, assinatura do TIAR. Brasil como parceiro confiável do bloco ocidental — sem autonomia de agenda.
  • TIAR — Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (1947): defesa coletiva hemisférica
  • Cassação do PCB e ruptura diplomática com a URSS (1947)
  • Participação na fundação da OEA (Carta de Bogotá, 1948)
EUA (alinhamento total), Europa Ocidental, América Latina (OEA)TIAR (1947); Carta da OEA (1948); acordos bilaterais de defesa com os EUA
Eurico Gaspar Dutra
Representa o auge do alinhamento automático com os EUA. Abdicou da autonomia em troca de alinhamento ideológico, sem benefícios econômicos proporcionais. Contraponto perfeito da PEI.
Francisco Negrão de Lima1958 – 1959Minas GeraisJKDesenvolvimentismoMultilateralismo
Chanceler do lançamento da Operação Pan-Americana (OPA). Defensor do multilateralismo como ferramenta de desenvolvimento para o Sul Global.
Lançamento formal da OPA — proposta de desenvolvimento econômico multilateral para a América Latina. Ruptura com o FMI em 1959 — JK recusa condicionalidades. A OPA antecipou a Aliança para o Progresso.
  • Lançamento formal da Operação Pan-Americana (OPA, 1958) — proposta de desenvolvimento regional
  • Visita de Eisenhower ao Brasil (1960) — reforço bilateral sem concessões substantivas à OPA
  • Ruptura com o FMI (1959): JK recusa condicionamentos; impacto nas relações com credores externos
EUA, Europa Ocidental, América LatinaAta de Bogotá (1960) — precursora da Aliança para o Progresso; resultado direto da OPA
Juscelino Kubitschek
A OPA foi seu principal legado. Propôs que o subdesenvolvimento era problema coletivo do hemisfério — visão que antecipou em décadas o debate sobre responsabilidade comum no desenvolvimento.
Afonso Arinos de Melo Franco1961Minas GeraisJânio QuadrosPolítica Ext. IndependenteTerceiro-mundismo
Intelectual e jurista. Arquiteto da PEI — autonomia, não-alinhamento, abertura ao Sul Global. A maior ruptura doutrinária da diplomacia brasileira do século XX.
A PEI rompe com o alinhamento automático: universalismo, não-intervenção, apoio à descolonização, abertura a países afro-asiáticos e socialistas. Condecoração do Che Guevara como símbolo da nova orientação.
  • Lançamento formal da Política Externa Independente — ruptura doutrinária com o alinhamento da Guerra Fria
  • Abertura de relações com países afro-asiáticos — suporte à descolonização na ONU
  • Condecoração do Che Guevara (1961) — aproximação com Cuba; escândalo político interno
Cuba, URSS (abertura), países afro-asiáticos, EUA (relação tensa)Retomada de relações comerciais com países socialistas
Jânio Quadros
Inaugurou a PEI — a mais importante ruptura doutrinária da diplomacia brasileira do século XX. Seus princípios de autonomia, universalismo e não-alinhamento moldaram todas as gerações seguintes.
San Tiago Dantas1962 – 1963Rio de JaneiroGoulartPolítica Ext. IndependenteDesenvolvimentismo
Jurista e político trabalhista. O mais brilhante chanceler da PEI. Defensor absoluto da soberania, da não-intervenção e do universalismo.
Aprofundamento da PEI: defesa de Cuba contra exclusão da OEA, retomada das relações com a URSS, defesa da autodeterminação. Resistência máxima à pressão americana. O golpe de 1964 encerrou seu projeto.
  • Defesa da não-exclusão de Cuba da OEA (1962) — resistência à pressão americana durante a Crise dos Mísseis
  • Retomada das relações diplomáticas com a URSS e países socialistas
  • Lei de Remessa de Lucros (1962) — política econômica nacionalista com forte impacto nas relações com EUA
URSS, Cuba, países não-alinhados, países afro-asiáticos; tensão máxima com EUAAcordos comerciais com países socialistas; retomada das relações com URSS
João Goulart
O chanceler mais brilhante da PEI. Sua defesa da autonomia e da soberania influenciou toda a geração seguinte de diplomatas. O golpe de 1964 interrompeu o projeto mais ambicioso da diplomacia brasileira.
João A. de Araújo Castro1963 – 1964Rio Grande do NorteGoulartPolítica Ext. IndependenteAutonomia
Diplomata de carreira. Formulou os "3Ds": Desarmamento, Desenvolvimento, Descolonização — os pilares da PEI na ONU. Leitura obrigatória para o CACD.
Discurso histórico na AGNU: os "3Ds" como agenda do Brasil. Resistência ao congelamento do poder pelas potências nucleares. O golpe de 1/abril/1964 encerrou a PEI e iniciou a diplomacia alinhada.
  • Discurso dos "3Ds" na AGNU (1963): Desarmamento, Desenvolvimento, Descolonização — manifesto da PEI
  • Crítica ao congelamento do poder pelas potências nucleares — antecipação do debate de reforma da ONU
  • Golpe militar de 1/abril/1964 — encerramento da PEI e início da diplomacia alinhada
Países não-alinhados, URSS, Cuba, países afro-asiáticos; tensão com EUAAcordos no âmbito dos países não-alinhados
João Goulart
Os "3Ds" tornaram-se a síntese mais elegante dos objetivos da diplomacia brasileira da PEI. Influenciam o pensamento do Itamaraty até hoje. Araújo Castro é leitura obrigatória para o CACD.
⬜ DITADURA MILITAR (1964–1985) — DO ALINHAMENTO AO PRAGMATISMO RESPONSÁVEL
Vasco Leitão da Cunha1964 – 1966Rio Grande do SulCastello BrancoOcidentalismoAnticomunismo
Diplomata de carreira. Ruptura total com a PEI — alinhamento automático com os EUA. "Fronteiras ideológicas" substituem não-intervenção.
Reversão completa da PEI: rompimento com Cuba, envio de tropas à República Dominicana (1965), alinhamento total com os EUA. Nadir da autonomia diplomática brasileira.
  • Rompimento de relações diplomáticas com Cuba (1964)
  • Participação na Força Interamericana de Paz na República Dominicana (1965) — único país sul-americano a enviar tropas
  • Doutrina das "Fronteiras Ideológicas": intervenção justificada contra o comunismo
EUA (alinhamento total), Europa Ocidental, América Latina anticomunistaAcordos de cooperação militar com os EUA; participação na estrutura da OEA anticomunista
Humberto Castello Branco
Representa o nadir da autonomia diplomática — alinhamento total sem contrapartidas. Contraponto perfeito da PEI e do posterior Pragmatismo Responsável.
Juracy Magalhães1966 – 1967BahiaCastello BrancoConservadorismoPró-EUA
Ex-governador da Bahia. Famosa frase: "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil." Símbolo do que a diplomacia deveria evitar.
Alinhamento automático como política declarada. A frase sobre os EUA sintetiza o momento de subordinação máxima. Gestão breve ao final do governo Castello Branco.
  • Afirmação do alinhamento automático com os EUA como política explícita e declarada
  • Continuidade da Doutrina de Segurança Nacional no âmbito da OEA
  • Transição para o governo Costa e Silva — início da revisão do alinhamento automático
EUA (alinhamento declarado), Europa OcidentalGestão de manutenção; sem grandes tratados
Humberto Castello Branco
Ficou na história pela frase de alinhamento total com os EUA. Marcou o pico da subordinação e o início da reação que levaria ao Pragmatismo Responsável de Azeredo da Silveira.
José de Magalhães Pinto1967 – 1969Minas GeraisCosta e SilvaDesenvolvimentismoAutonomia Relativa
Ex-governador de MG. "Diplomacia da Prosperidade": desenvolvimento como objetivo central. Primeiro esboço de autonomia em relação ao alinhamento automático.
Início da revisão do alinhamento automático. Crítica ao protecionismo dos países ricos. Defesa dos interesses do Sul na UNCTAD. Ambiguidade: autoritarismo interno, reivindica autonomia externamente.
  • Diplomacia da Prosperidade: desenvolvimento como tema central da agenda externa
  • Participação na UNCTAD — defesa dos interesses do Sul Global contra o protecionismo do Norte
  • Início das negociações sobre Itaipu com o Paraguai — geopolítica energética regional
EUA (relação mais equilibrada), Europa Ocidental, Japão, América LatinaInício das negociações sobre o Tratado de Itaipu
Arthur da Costa e Silva
Pioneiro da revisão do alinhamento automático. A "Diplomacia da Prosperidade" antecipou elementos do Pragmatismo Responsável que Azeredo da Silveira consolidaria.
Mário Gibson Barboza1969 – 1974Rio de JaneiroMédiciPragmatismoAutonomia Moderada
Diplomata de carreira. Ampliou o interesse brasileiro na África e no Oriente Médio. Preparação ao Pragmatismo Responsável.
Gestão no auge da repressão interna e do Milagre Econômico. Externamente, início da diversificação: abertura à África, preparação do reconhecimento da China. 1ª Crise do Petróleo (1973) como grande choque.
  • Abertura à África: missões diplomáticas e aproximação com o continente africano
  • 1ª Crise do Petróleo (1973): Brasil busca diversificação energética e novos fornecedores
  • Preparação do terreno para o reconhecimento da China Popular
EUA, Europa Ocidental, Japão, África (crescente), Oriente Médio (petróleo)Acordos comerciais com países africanos; preparação para o reconhecimento da China
Emílio Garrastazu Médici
Preparou o terreno para o Pragmatismo Responsável. Sua abertura à África e a gestão do choque do petróleo de 1973 anteciparam as grandes reformas diplomáticas de Azeredo da Silveira.
Antônio Azeredo da Silveira1974 – 1979Rio Grande do SulGeiselPragmatismo ResponsávelSul-Sul
O grande chanceler da Ditadura. Formulador do "Pragmatismo Responsável e Ecumênico" — diversificação, autonomia, interesse nacional acima da ideologia.
A mais importante gestão diplomática desde Oswaldo Aranha. Reconhecimento de Angola (1975), Acordo Nuclear com a Alemanha (1975), reconhecimento da China (1974), Acordo Tripartite sobre Itaipu (1979). Ruptura com o alinhamento ideológico.
  • Reconhecimento de Angola independente sob o MPLA (1975) — ruptura com Portugal e EUA; pioneirismo na África lusófona
  • Acordo Nuclear com a Alemanha (1975): transferência de tecnologia nuclear completa; crise com os EUA de Carter
  • Acordo Tripartite Brasil-Argentina-Paraguai (1979): resolução da disputa sobre Itaipu/Corpus; distensão com Argentina
Alemanha Ocidental (nuclear), Japão, Oriente Médio (petróleo), África (novo), China (reconhecimento), Argentina (distensão)Acordo Nuclear com a Alemanha (1975); Tratado de Itaipu com Paraguai; Acordo Tripartite (1979); reconhecimento da RPC (1974)
Ernesto Geisel
O maior chanceler da Ditadura e um dos maiores da história do Brasil. O Pragmatismo Responsável inaugurou a era da autonomia real — sem ideologia, só interesse nacional. Seu legado molda o Itamaraty até hoje.
Ramiro Saraiva Guerreiro1979 – 1985Rio Grande do SulFigueiredoPragmatismo ResponsávelSul-Sul
Diplomata de carreira. Continuidade do PR. Aprofundamento da relação com África e aproximação histórica com a Argentina — semente do Mercosul.
Continuidade e aprofundamento do PR. Gestão da crise da dívida externa (1982). Guerra das Malvinas: Brasil apoia a Argentina diplomaticamente. Declaração de Iguaçu (1985) — semente do Mercosul.
  • Guerra das Malvinas (1982): Brasil apoia a Argentina diplomaticamente contra o Reino Unido
  • Crise da dívida externa (1982): gestão das negociações com credores internacionais
  • Declaração de Iguaçu (novembro 1985, já Sarney): ponto de partida formal do Mercosul
EUA (FMI e dívida), Alemanha, Japão, África, Argentina (aproximação histórica)Declaração de Iguaçu (1985); acordos de renegociação da dívida com credores internacionais
João Figueiredo
Consolidou o PR e plantou a semente do Mercosul. A Declaração de Iguaçu encerrou séculos de rivalidade platina e abriu a era da integração sul-americana.
🟣 NOVA REPÚBLICA (1985–presente) — DA REDEMOCRATIZAÇÃO À MULTIPOLARIDADE
Roberto de Abreu Sodré1986 – 1990São PauloSarneyLiberalismoMultilateralismo
Ex-governador de SP. Conduziu o processo de integração com a Argentina até o Tratado de 1988 e a preparação do Mercosul.
Tratado de Integração Brasil-Argentina (1988) e preparação do Mercosul. A Constituição de 1988 constitucionaliza os princípios da política externa (Art. 4º).
  • Tratado de Integração Brasil-Argentina (1988) — precursor direto do Mercosul
  • Constituição de 1988: Art. 4º constitucionaliza os princípios da política externa brasileira
  • Moratória da dívida externa (1987) — gestão das negociações com credores internacionais
Argentina (integração), EUA, Europa Ocidental, credores (FMI, Banco Mundial)Tratado de Integração Brasil-Argentina (1988)
José Sarney
Conduziu a integração com a Argentina à sua institucionalização formal em 1988. A Constituição de 1988 com o Art. 4º é outro legado decisivo — constitucionalização dos princípios diplomáticos brasileiros.
Francisco Rezek1990–1992; 1997–1998Minas GeraisCollor / FHCNeoliberalismoMultilateralismo
Jurista internacionalista e ex-ministro do STF. Abertura econômica e inserção liberal na globalização como paradigmas.
No governo Collor: abertura econômica e inserção liberal. Mercosul (Tratado de Assunção, 1991) e ECO-92 são seus grandes marcos. Em 1997–98: participação nas negociações da ALCA e da OMC.
  • Mercosul — Tratado de Assunção (1991): fundação formal do bloco regional
  • ECO-92 / Rio-92 (1992): Brasil como sede da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
  • Participação ativa nas negociações da Rodada Uruguai do GATT (1986–94)
Argentina (Mercosul), EUA, Europa Ocidental, organismos multilateraisTratado de Assunção (1991, Mercosul); protocolos da ECO-92
Fernando Collor
Fernando H. Cardoso
O Tratado de Assunção e a ECO-92 são seus legados principais. O Mercosul tornou-se o principal instrumento de integração regional e a ECO-92 posicionou o Brasil como ator ambiental global.
Luiz Felipe Lampreia1995 – 2001Rio de JaneiroFHCInternacionalismo LiberalMultilateralismo
Diplomata de carreira. "Autonomia pela participação e pelo compromisso". Inserção do Brasil no sistema multilateral como global trader.
O mais longo mandato de chanceler do período democrático. Consolidação do Plano Real, ampliação do Mercosul, 1ª Cúpula da América do Sul (2000), resistência à ALCA.
  • 1ª Cúpula da América do Sul (Brasília, 2000) — fundação da agenda de integração sul-americana autônoma
  • Resistência à ALCA nas negociações de Seattle (1999)
  • Crise Argentina (1998–99): gestão preventiva no Mercosul
EUA (tensão sobre ALCA), UE, Argentina (Mercosul), organismos multilateraisAmpliação do Mercosul; acordos de livre comércio com Chile e Bolívia (1996)
Fernando H. Cardoso
A 1ª Cúpula da América do Sul (2000) é seu legado central — inaugurou a agenda de integração sul-americana autônoma que daria origem à UNASUL.
Celso Amorim2003–2010; 2023–presenteRio de JaneiroLula I-II / Lula IIIAutonomia pela DiversificaçãoSul-SulMultilateralismo Ativo
O maior chanceler da era democrática e um dos maiores da história do Brasil. Eleito melhor do mundo pela Foreign Policy (2009).
A gestão mais ativa e diversificada da história. G-20 comercial (Cancún, 2003), IBAS, BRICS, UNASUL, mediação no Irã (2010). Em 2023: retomada com COP30, G-20 e mediação Rússia-Ucrânia.
  • G-20 comercial (Cancún, 2003): coalizão Sul-Sul na OMC — marco do multilateralismo ativo
  • Fundação da UNASUL (2008) e formalização dos BRICS — institucionalização da agenda Sul-Sul
  • Mediação Brasil-Turquia sobre o programa nuclear iraniano (2010) — Declaração de Teerã
China (1º parceiro), EUA (relação funcional), UE, Argentina, África, Oriente Médio, países em desenvolvimentoFundação da UNASUL (2008); acordos do G-20 comercial; Declaração de Teerã (2010); acordos Sul-Sul bilaterais
Lula I e II
Lula III
O maior chanceler da era democrática. A "Autonomia pela Diversificação" tornou-se a principal referência teórica da política externa contemporânea. O G-20 comercial, a UNASUL e os BRICS são legados permanentes.
Antonio Patriota2011 – 2013Rio de JaneiroDilma IAutonomia pela DiversificaçãoMultilateralismo
Diplomata de carreira, discípulo de Celso Amorim. Continuidade da agenda Lula-Amorim com menor proatividade.
Continuidade com menor dinamismo. Crise com os EUA pela denúncia de espionagem da NSA (2013). Dilma discursa na AGNU e cancela visita a Obama. Pediu demissão após incidente com senador boliviano.
  • Denúncia de espionagem da NSA sobre o Brasil (2013) — Dilma cancela visita a Obama e discursa na AGNU
  • Rio+20 (2012) — 20 anos após a ECO-92; resultados modestos
  • Incidente com senador boliviano (2013) — pediu demissão após o episódio
China, EUA (tensão pós-NSA), UE, Argentina, países em desenvolvimentoRio+20 (2012); acordos de cooperação Sul-Sul
Dilma Rousseff
Gestão marcada pelo escândalo da NSA — que projetou o Brasil ao defender sua soberania digital. Pediu demissão após incidente diplomático. Representa a transição para uma política externa menos proativa.
Mauro Vieira2015–2016; jan-fev 2023Rio de JaneiroDilma II / Lula IIIMultilateralismoPragmatismo
Diplomata de carreira. Gestão em dois momentos: fim do governo Dilma (impeachment) e transição inicial do Lula III.
Assinatura do Acordo de Paris (2015) e gestão diplomática durante o impeachment. No Lula III: breve período de transição antes de Amorim assumir plenamente.
  • Assinatura do Acordo de Paris (2015) — compromisso brasileiro com metas climáticas
  • Gestão diplomática durante o processo de impeachment de Dilma (2016)
  • Transição da política externa no início do Lula III (2023)
EUA, UE, China, Argentina, organismos multilateraisAcordo de Paris (2015)
Dilma Rousseff
Lula III
O Acordo de Paris é seu legado principal. Gestor de transições em momentos difíceis — no fim dramático do governo Dilma e no recomeço do governo Lula.
Ernesto Araújo2019 – 2021Minas GeraisBolsonaroUltraconservadorismoAntiglobalismo
Diplomata radicalmente alinhado com o bolsonarismo. Ideologia acima do interesse nacional. Anti-China, anticlimático, anti-multilateral.
A gestão mais controversa e danosa da história recente. Alinhamento com Trump. Hostilidade declarada à China (contradição com dependência comercial). Negacionismo climático. Demitido após crise com a China sobre vacinas COVID.
  • Conflito com a China por declarações hostis — contradição com o fato de a China ser o 1º parceiro comercial do Brasil
  • Negacionismo climático: conflito com UE, queimadas na Amazônia (2019–20) e ameaça ao acordo Mercosul-UE
  • Demissão (2021) após crise com a China sobre fornecimento de vacinas COVID-19
EUA (Trump), Israel; hostilidade declarada à China e aos países progressistasSem grandes tratados; recuo em compromissos multilaterais
Jair Bolsonaro
A gestão mais danosa da história recente da diplomacia brasileira. Isolamento internacional, conflito com a principal parceira comercial e recuo nos compromissos ambientais. Exemplo do que não fazer.
Carlos França2021 – 2022Rio de JaneiroBolsonaroPragmatismoGestão de Danos
Diplomata de carreira. Substituiu Araújo — gestão de normalização e redução de danos após os excessos do antecessor.
Tentativa de normalização das relações com a China e a UE após os danos causados por Araújo. Manutenção do discurso conservador sem os excessos anteriores. COP26 (Glasgow, 2021) como marca.
  • Normalização das relações com a China — retomada do diálogo após a crise das vacinas
  • COP26 (Glasgow, 2021) — Brasil comparece com metas, mas credibilidade comprometida pelas queimadas
  • Eleições de 2022 e transição diplomática para o governo Lula III
China (normalização), EUA, UE (recomposição parcial), ArgentinaSem grandes tratados; gestão de recomposição
Jair Bolsonaro
Gestão de contenção de danos. Estabilizou o que Araújo havia destruído, restaurando relações mínimas com a China e a UE. Deixou uma herança administrável para o governo Lula.
⬛ BRASIL COLONIAL — GOVERNADORES-GERAIS E SECRETÁRIOS DE ESTADO (1549–1807)
Tomé de Sousa
1549 – 1553
Portugal · 1º Gov.-Geral
Mercantilismo
Colonialismo centralizador. Fundação do aparato administrativo e da parceria Coroa-Igreja como pilares da colonização.
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Mem de Sá
1558 – 1572
Portugal · 3º Gov.-Geral
MercantilismoExpansionismo
Consolidação territorial e expulsão de ameaças estrangeiras. Parceria intensa com os jesuítas.
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Marquês de Pombal
1750 – 1777
Portugal · Secretário de Estado
IluminismoDespotismo Esclarecido
Reformismo ilustrado aplicado ao Império. Fortalecimento do Estado, expulsão dos jesuítas, modernização administrativa.
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🟡 PERÍODO JOANINO E INDEPENDÊNCIA (1808–1831)
D. Rodrigo de Sousa Coutinho
1808 – 1812
Portugal · Período Joanino
Iluminismo LusoReformismo
Primeiro grande estadista do Brasil sede do Império. Defensor da abertura econômica e da modernização do Estado.
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José Bonifácio de Andrada e Silva
1822 – 1823
São Paulo · Independência
Liberalismo IlustradoNacionalismo
"Patriarca da Independência". 1º ministro do Brasil independente. Monarquia constitucional, soberania nacional, abolição gradual da escravidão.
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👑 IMPÉRIO DO BRASIL (1831–1889)
Paulino Soares de Sousa
(Visconde do Uruguai)
1849 – 1853
Rio de Janeiro · II Reinado
ConservadorismoRealismo Político
Um dos maiores chanceleres do Império. Pragmatismo e defesa dos interesses nacionais na Bacia do Prata. Hegemonia imperial como objetivo.
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José M. da Silva Paranhos
(Visconde do Rio Branco)
1871 – 1876
Rio de Janeiro · II Reinado
Conservadorismo Mod.Pragmatismo
Pai do Barão do Rio Branco. Grande negociador imperial. A Lei do Ventre Livre (1871) foi aprovada em seu governo como Presidente do Conselho.
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🟤 REPÚBLICA VELHA (1889–1930) — O BARÃO DO RIO BRANCO E A ERA DE OURO DA DIPLOMACIA
Quintino Bocaiúva
1889 – 1891
Rio de Janeiro · Rep. da Espada
RepublicanismoPan-americanismo
1º chanceler da República. Jornalista republicano histórico. Tentativa polêmica de aproximação com a Argentina.
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Barão do Rio Branco
1902 – 1912
Rio de Janeiro · Rep. Velha
RealismoAmericanismoPacifismo Territorial
O maior diplomata da história brasileira. Definiu as fronteiras sem guerras, pelo arbitramento e negociação. "Americanismo" como contrapeso estratégico.
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Lauro Müller
1912 – 1917
Santa Catarina · Rep. Velha
AmericanismoNeutralismo
Herdou o Itamaraty após Rio Branco. Descendente de alemães — acusado de simpatia à Alemanha na 1ª Guerra. Resignou por pressão americana.
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Nilo Peçanha
1917 – 1918
Rio de Janeiro · Rep. Velha
AmericanismoPró-Aliados
Político e ex-presidente. Conduziu a virada do Brasil para os Aliados e a declaração de guerra à Alemanha.
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Epitácio Pessoa
1919 (delegação em Paris)
Paraíba · Rep. Velha
MultilateralismoInternacionalismo Liberal
Jurista e político. Liderou a delegação brasileira na Conferência de Paz de Paris — a de maior peso da América do Sul.
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Félix Pacheco
1922 – 1926
Piauí · Rep. Velha
ConservadorismoMultilateralismo
Jornalista e político. Chanceler do conturbado governo Bernardes — presenciou a saída do Brasil da Liga das Nações.
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Octávio Mangabeira
1926 – 1930
Bahia · Rep. Velha
LiberalismoPan-americanismo
Político baiano. Último chanceler da República Velha — tentativa de reintegração ao multilateralismo pós-saída da Liga.
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🔴 ERA VARGAS (1930–1945 / 1950–1954)
Afrânio de Melo Franco
1930 – 1933
Minas Gerais · Vargas
LiberalismoMultilateralismo
Diplomata e político mineiro. Primeiro chanceler de Vargas — perfil moderado, ligação com o antigo regime. Chanceler da normalização.
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José C. de Macedo Soares
1934 – 1936
São Paulo · Vargas
LiberalismoPan-americanismo
Industrialista paulista. Implementou a estratégia de equidistância pragmática de Vargas — jogando EUA e Alemanha um contra o outro.
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Oswaldo Aranha
1938 – 1944
Rio Grande do Sul · Vargas / Estado Novo
Pan-americanismoPró-EUAInternacionalismo
O maior chanceler da Era Vargas. Pivô da virada para os Aliados e da negociação de Volta Redonda. Presidiu a AGNU em 1947–48.
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João Neves da Fontoura
1951 – 1953
Rio Grande do Sul · 2º Vargas
ConservadorismoPan-americanismo
Político gaúcho, aliado de Vargas. Ala conservadora do varguismo — resistência ao monopólio do petróleo. Pró-americano.
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🟢 DEMOCRACIA LIBERAL (1945–1964) — DA PAN-AMERICANA À POLÍTICA EXTERNA INDEPENDENTE
Raul Fernandes
1946 – 1951
Rio de Janeiro · Dutra
OcidentalismoAnticomunismo
Jurista internacionalista. Alinhamento automático com os EUA. Cassação do PCB e ruptura com a URSS. Contraponto teórico da PEI.
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Francisco Negrão de Lima
1958 – 1959
Minas Gerais · JK
DesenvolvimentismoMultilateralismo
Chanceler do lançamento da Operação Pan-Americana (OPA). Defensor do multilateralismo como ferramenta de desenvolvimento para o Sul Global.
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Afonso Arinos de Melo Franco
1961
Minas Gerais · Jânio Quadros
Política Ext. IndependenteTerceiro-mundismo
Intelectual e jurista. Arquiteto da PEI — autonomia, não-alinhamento, abertura ao Sul Global. A maior ruptura doutrinária da diplomacia brasileira do século XX.
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San Tiago Dantas
1962 – 1963
Rio de Janeiro · Goulart
Política Ext. IndependenteDesenvolvimentismo
Jurista e político trabalhista. O mais brilhante chanceler da PEI. Defensor absoluto da soberania, da não-intervenção e do universalismo.
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João A. de Araújo Castro
1963 – 1964
Rio Grande do Norte · Goulart
Política Ext. IndependenteAutonomia
Diplomata de carreira. Formulou os "3Ds": Desarmamento, Desenvolvimento, Descolonização — os pilares da PEI na ONU. Leitura obrigatória para o CACD.
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⬜ DITADURA MILITAR (1964–1985) — DO ALINHAMENTO AO PRAGMATISMO RESPONSÁVEL
Vasco Leitão da Cunha
1964 – 1966
Rio Grande do Sul · Castello Branco
OcidentalismoAnticomunismo
Diplomata de carreira. Ruptura total com a PEI — alinhamento automático com os EUA. "Fronteiras ideológicas" substituem não-intervenção.
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Juracy Magalhães
1966 – 1967
Bahia · Castello Branco
ConservadorismoPró-EUA
Ex-governador da Bahia. Famosa frase: "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil." Símbolo do que a diplomacia deveria evitar.
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José de Magalhães Pinto
1967 – 1969
Minas Gerais · Costa e Silva
DesenvolvimentismoAutonomia Relativa
Ex-governador de MG. "Diplomacia da Prosperidade": desenvolvimento como objetivo central. Primeiro esboço de autonomia em relação ao alinhamento automático.
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Mário Gibson Barboza
1969 – 1974
Rio de Janeiro · Médici
PragmatismoAutonomia Moderada
Diplomata de carreira. Ampliou o interesse brasileiro na África e no Oriente Médio. Preparação ao Pragmatismo Responsável.
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Antônio Azeredo da Silveira
1974 – 1979
Rio Grande do Sul · Geisel
Pragmatismo ResponsávelSul-Sul
O grande chanceler da Ditadura. Formulador do "Pragmatismo Responsável e Ecumênico" — diversificação, autonomia, interesse nacional acima da ideologia.
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Ramiro Saraiva Guerreiro
1979 – 1985
Rio Grande do Sul · Figueiredo
Pragmatismo ResponsávelSul-Sul
Diplomata de carreira. Continuidade do PR. Aprofundamento da relação com África e aproximação histórica com a Argentina — semente do Mercosul.
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🟣 NOVA REPÚBLICA (1985–presente) — DA REDEMOCRATIZAÇÃO À MULTIPOLARIDADE
Roberto de Abreu Sodré
1986 – 1990
São Paulo · Sarney
LiberalismoMultilateralismo
Ex-governador de SP. Conduziu o processo de integração com a Argentina até o Tratado de 1988 e a preparação do Mercosul.
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Francisco Rezek
1990–1992; 1997–1998
Minas Gerais · Collor / FHC
NeoliberalismoMultilateralismo
Jurista internacionalista e ex-ministro do STF. Abertura econômica e inserção liberal na globalização como paradigmas.
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Luiz Felipe Lampreia
1995 – 2001
Rio de Janeiro · FHC
Internacionalismo LiberalMultilateralismo
Diplomata de carreira. "Autonomia pela participação e pelo compromisso". Inserção do Brasil no sistema multilateral como global trader.
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Celso Amorim
2003–2010; 2023–presente
Rio de Janeiro · Lula I-II / Lula III
Autonomia pela DiversificaçãoSul-SulMultilateralismo Ativo
O maior chanceler da era democrática e um dos maiores da história do Brasil. Eleito melhor do mundo pela Foreign Policy (2009).
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Antonio Patriota
2011 – 2013
Rio de Janeiro · Dilma I
Autonomia pela DiversificaçãoMultilateralismo
Diplomata de carreira, discípulo de Celso Amorim. Continuidade da agenda Lula-Amorim com menor proatividade.
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Mauro Vieira
2015–2016; jan-fev 2023
Rio de Janeiro · Dilma II / Lula III
MultilateralismoPragmatismo
Diplomata de carreira. Gestão em dois momentos: fim do governo Dilma (impeachment) e transição inicial do Lula III.
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Ernesto Araújo
2019 – 2021
Minas Gerais · Bolsonaro
UltraconservadorismoAntiglobalismo
Diplomata radicalmente alinhado com o bolsonarismo. Ideologia acima do interesse nacional. Anti-China, anticlimático, anti-multilateral.
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Carlos França
2021 – 2022
Rio de Janeiro · Bolsonaro
PragmatismoGestão de Danos
Diplomata de carreira. Substituiu Araújo — gestão de normalização e redução de danos após os excessos do antecessor.
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